14/11/05
Certa vez, ao escovar os dentes, deparei-me com uma situação que, como dizem, "dá pano pra manga". Eis que me surge, subitamente, a vontade de escrever sobre trivialidades, com um estilo similar à crônica. No entanto não vos garanto que serei feliz em minha tentativa. Assim como vós, só estarei certo do sucesso -ou insucesso- desta quando cessarem as palavras e, por fim, surgir um ponto.
Ocorre que, enquanto realizo a higiene bucal, estaco, olhando fixamente para o que chamam de porta-escovas. Lembrei-me de que outrora este encontrava-se com suas quatro cavidades preenchidas pelos objetos os quais ele foi feito para comportar, estes, por sua vez, das mais variadas cores e nos mais variados estados de conservação.
O fato curioso era agora haver apenas uma escova: a minha. A escova de papai mudara-se para o pavimento superior da casa há tempos, uma vez que tinha certa preguiça de descer para realizar a higiene, isto é, quando a realizava.
Mamãe. Mamãe ultimamente vinha tendo comportamentos suspeitos. E isso se refletia na inconstância com que sua escova encontrava-se no porta-escovas. Às vezes, encontro seu objeto no banheiro, delicadamente colocado ao lado da cuba da pia, mas raramente no local onde realmente deveria estar. Estranho ...
Já a escova de Vinícius estava passando uma temporada de três ou quatro dias na casa de amigos, por motivo do feriado de Proclamação da República.
Em oposição a todas, a minha se encontrava lá. Amarela e um pouco mal conservada. O que fez com que todas a abandonassem ali, com três outras cavidades vagas ? Sinceramente, é algo que eu e minha escova gostaríamos de saber.
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Sim, sim, logo após o término, desculpo-me pelo devaneio.
